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Paris Fashion Week 2026 — O Luxo Possível

De Chanel a Alaïa, o novo luxo é emocional, funcional e próximo da vida real. O futuro da moda é agora e revela textura, transparência e propósito

Acervo Portal Prates 22 de October de 2025 3 min de leitura

De Chanel a Alaïa, o novo luxo é emocional, funcional e próximo da vida real.

O futuro da moda é agora e revela textura, transparência e propósito

Por Mylla Rodrigues – especialista em looks de impacto e estilista da ClosetMy

A temporada Primavera/Verão 2026 em Paris provou que o luxo contemporâneo não precisa ser distante. Pelo contrário, pode ser visto, vivido, tocado e sentido — como um reflexo da mulher moderna, que busca autenticidade sem abrir mão da sofisticação. Nada mais a cara da ClosetMy do que traduzir signos pessoais em looks que comunicam e impactam.

Nesta edição, as maisons transformaram o impossível em cotidiano. Marcas como Chanel, Balenciaga, Schiaparelli e Alaïa mostraram que a beleza do futuro está no equilíbrio entre arte e funcionalidade.

A ClosetMy, como única marca capixaba convidada para a estreia de Matthieu Blazy para a Chanel, representada pela estilista Mylla Rodrigues e as embaixadoras da CM, Sheila Dalapicola e Raigna Vasconcelos, puderam acompanhar da primeira fila o quanto Blazy primou em revisitar os códigos da marca, começando pelos planetas gigantes cenográficos em alusão ao fascínio sinérgico entre ele e Coco pela astronomia. Seguido do livre acesso ao closet masculino, com as camisas em tricoline com logotipo discreto em letra cursiva, como Coco utilizava na década de 20 (pegando emprestadas de seu namorado Boy Capel) e que são eternas coringas para um closet inteligente, da mulher que prima por praticidade e minimalismo sem abrir mão do estilo. Já o tweed, tecido encorpado onipresente e clássico da marca, surgiu repaginado, desfiado, translúcido e leve, em diálogo com o corpo e o movimento, uma assinatura de Blazy que havia feito o mesmo ao flexibilizar a textura do couro nos designers na sua antiga casa, a Bottega Venetta. Nas plumas, ele trouxe inovação. Elas, na verdade, eram feitas de retalhos de seda, trazendo a consciência e prática necessárias para um luxo sustentável e humanizado.

Enquanto isso, Balenciaga e Fendi propuseram um luxo confortável e urbano. Pierpaolo Piccioli apresentou volumes amplos e cortes cocoon que libertavam o corpo, enquanto a Fendi reafirmava sua alfaiataria fluida e impecável, unindo herança e modernidade.

Já Schiaparelli, marca que é uma das grandes inspirações da CM, manteve sua aura surrealista, mas agora trazendo usabilidade para um público maior: acessórios esculturais e gestos visuais que se aproximam do real. Na Alaia, Pieter Mulier apresentou o conceito de “roupas que choram”: tramas orgânicas, macramês e pérolas que abraçam o corpo com emoção. A moda como poesia tátil.

TENDÊNCIAS:

  • Silhuetas relaxadas e alfaiataria fluida;
  • Cintura baixíssima e ombreiras volumosas;
  • Neutros com pontos de cor vibrantes;
  • Cores azul, amarelo e vermelho Lava Falls;
  • Transparências sutis e feminilidade natural;
  • Franjas, plumas (naturais e fakes) e pelúcias (mesmo no verão);
  • Texturas artesanais e toque handmade;
  • Acessórios statement, em escala realista;
  • Lenços para truques de styling;
  • Bolsas implodidas e semiabertas.

De IPANEMA À CURVA DA JUREMA — No litoral brasileiro, esse novo luxo apresentado pelas grandes marcas em Paris encontra terreno fértil. O calor, a leveza e a naturalidade da mulher brasileira fazem dessas tendências algo intuitivo: vestidos esvoaçantes, transparências leves e design emocional. O luxo possível é aquele que vive conosco — sob o sol, na cidade, no movimento. A Paris Fashion Week 2026 mostrou que o futuro da moda é sensorial, emocional e humano. Um luxo que não se exibe — se sente.

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